Maraey inicia obras nessa semana e tenta evitar trauma do “Caribe Brasileiro”

Obras do megacomplexto turístico Maraey começam nessa semana em Maricá. Reprodução / Maraey

Com as obras previstas para serem iniciadas nessa semana, o megacomplexo turístico Maraey, em Maricá, já teria iniciado um “roadshow”, uma espécie de turnê empresarial realizada para promover a marca e lançar produtos, visando atrair investimentos dentro e fora do país.

A informação foi divulgada nessa segunda-feira, 8, pelo jornalista Rennan Setti, no blog Capital, do jornal O Globo, que revela que entre os alvos do empreendimento orçado em 11 bilhões de reais, estariam fundos de pensão brasileiros.

Ao blog, o empresário espanhol Emilio Izquierdo, CEO do Maraey, teria confirmado a informação, além de revelar que o empreendimento pretende ser apresentado formalmente para a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

“A experiência da Costa do Sauípe, de fato, machucou o segmento, mas o Brasil tem potencial para fazer do turismo um novo petróleo. E os fundos de pensão ainda investem pouco na economia real. Por isso, queremos posicionar o Maraey como uma oportunidade”, afirmou Emilio Izquierdo.

A menção ao empreendimento turístico localizado no município de Mata de São João, na Bahia (BA), se refere ao prejuízo causado no lançamento, em 2000, quando o então maior resort do país que tinha a expectativa de se tornar o “Caribe Brasileiro”, foi vendido pela Previ por apenas 140 milhões de reais, também mirando fundos de pensão.

De acordo com o CEO do Maraey, o objetivo do empreendimento é captar 800 milhões de reais até o fim de 2026, via dívida e participação acionária, que se somarão a 3,5 bilhões de reais de acordos de intenções com 3 organismos multilaterais, entre eles a International Finance Corporation, do Banco Mundial.

Ainda segundo o blog de O Globo, Emilio Izquierdo já teria se reunido com potenciais interessados em Nova York e em Miami, nos Estados Unidos (EUA), e na Espanha, além de ter agenda marcada em Londres, na Inglaterra, e em cidades do Oriente Médio.

No total, o grupo de investidores do Maraey contaria com 15 “advisors”, que funcionaram como assessores ou conselheiros financeiros, que ainda esbarram em questões econômicas como juros altos e instabilidade cambial.

“O investimento estrangeiro em turismo é praticamente inexistente no Brasil, mas o país começa agora a se posicionar como um destino dessa categoria”, avaliou Emilio Izquierdo.

Com investimentos previstos em 4,5 bilhões de reais na 1ª fase, o Maraey abrange 3 hotéis que somam 1.100 quartos e 244 “branded residences”, que são empreendimentos imobiliários de alto padrão associados com marcas globais de luxo.

Além disso, o Maraey terá também uma universidade de hotelaria certificada pela EHL, empresa suíça considerada a maior e mais prestigiada do mundo na formação e gestão de profissionais do setor de hotelaria, turismo e gastronomia.

Entre os 3 hotéis confirmados estão o 1º resort temático da marca Rock in Rio, o 1º hotel da bandeira Ritz-Carlton Reserve na América do Sul; e um resort “all-inclusive” da bandeira JW Marriott, como anunciado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), há duas semanas.

“O Rio é a porta de entrada do turismo internacional no Brasil, mas, enquanto seus hotéis estão concentrados na área urbana, os resorts ficam em cidades afastadas da capital, como Angra e Búzios. Enxergamos o Maraey como uma oferta complementar, dada sua proximidade com o Rio. E no Brasil, como um todo, tem poucos empreendimentos 5 estrelas ‘all-inclusive’. Esse é o nosso diferencial”, acredita Emilio Izquierdo.

De acordo com o empresário espanhol, que mora no Rio há 5 anos, na 2ª fase do Maraey, o plano é desenvolver projetos residenciais de alto padrão que devem somar 7 mil apartamentos, além de shoppings e de uma escola internacional.

“O foco hoje é de 200% na 1ª fase”, justificou CEO do Maraey ao blog de O Globo.

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